
A Argentina busca aumentar a flexibilidade do Mercosul, afirmou nesta sexta-feira (6) o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno. Isso significa que o país quer que os participantes do bloco consigam firmar acordos comerciais de forma mais aberta, sem tantas restrições internas.
“Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, disse Quirno a jornalistas.
As falas do ministro aconteceram durante coletiva de imprensa para explicar o acordo alcançado entre a Argentina e os Estados Unidos, anunciado na véspera. O tratado prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos entre os dois países.
O entendimento também abrange materiais críticos, em linha com a estratégia do presidente americano, Donald Trump, de reduzir a dependência da China — hoje dominante na produção e no refino desses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa.
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De acordo com Quirno, no entanto, a negociação não implica que a China “não possa participar de investimentos no setor de mineração da Argentina”, destacando que Trump e o presidente Javier Milei, continuarão a analisar a questão da redução das tarifas sobre o alumínio e o aço argentino.
Segundo o texto do acordo, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina — da exploração ao refino, processamento e exportação. O acordo ainda prevê a redução de “barreiras comerciais de longa data e oferece acesso significativo ao mercado para exportadores” dos EUA.
A expectativa, de acordo com o embaixador americano e negociador comercial Jamieson Greer informou ontem, ao anunciar o tratado, é expandir negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas.
O documento divulgado pelo governo dos EUA indica que o acordo não entra em vigor no momento da assinatura. Ele passa a valer 60 dias após a troca de notificações por escrito confirmando a conclusão dos trâmites legais internos — ou em outra data que os países acordarem.
Após passar a valer, o acordo prevê que a Argentina zere tarifas ou as reduza para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.
Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens.
Bandeira da Argentina
Unplash
*Esta reportagem está em atualização
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