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Petrobras é ‘eixo central’ de disputa entre espectros políticos

“Primeiro existe um plano de ação de desenvolvimento, que é um plano muito pensado, estratégico, como qualquer grande empresa, como é a Petrobras. E, segundo, [a Petrobras] está seguindo a orientação atual da direção e a direção da Petrobras não vai ser mudada, independentemente de quem seja o presidente da República no dia 1º de janeiro de 2027. Ela tem um processo de análise de discussão, de escolha, de indicação, inclusive, que vai levar durante mais algum período.”

O economista compara a Petrobras com um “transatlântico”: por ser gigante, a estatal faz movimentações lentas e que impedem mudanças bruscas, o que é visto com ambiguidade por ele.

“O seu plano de investimentos é adotado, aprovado por suas diretorias, por seu conselho de acionistas. Então, não consegue realmente dar um cavalo de pau nesse transatlântico em dois ou três meses.”

Eleições não interferem na Petrobras, mas Petrobras interfere nas eleições

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã fez com que o governo de Teerã fechasse o estreito de Ormuz. Cerca de 25% do combustível global passa pelo local, o que provocou o aumento da gasolina, diesel e querosene de aviação em todo o mundo, incluindo o Brasil.

Apesar de o país ser autossuficiente em petróleo, a Petrobras não tem capacidade de atender toda a demanda brasileira por combustível. Como consequência, precisamos importar cerca de 30% do óleo diesel consumido aqui, ficando suscetível a alterações no emrcado.

O eleitor, por sua vez, não se importa se foi uma guerra iniciada por Teerã, Tel Aviv ou Washington, explica Chelala. Segundo o economista, tanto faz para o brasileiro a posição do país no conflito se os preços nas bombas continuarem altos.

“No final, especialmente no diesel e repercussão nos preços gerais, [a crítica] vai ser debitada no governo de plantão. Então, existe uma maldição do incumbente. [O aumento do preço dos combustíveis] vai ser fortemente debatido e discutido no processo eleitoral.”

Chelala também alerta que as movimentações da Petrobras nos próximos meses serão lidas como medidas eleitoreiras, esmo que planejadas há meses e harmônicas com decisões tomadas anteriormente pela atual gestão.

“Toda e qualquer mudança de decisões na direção da Petrobras, com riscos previstos pela mudança de orientação, vai ser rapidamente identificada com medidas populistas. O problema é que ela vai ter que enfrentar esse debate, que eu acho um debate desnecessário e até equivocado.”

O economista também destaca que momentos de crise, como este causado pela guerra no Irã, são oportunidades para o Brasil “avançar e construir espaços que não lhe seriam dados” em outras condições. Além da Petrobras, o especialista reforça que outras estatais podem ganhar tração, inclusive em áreas com destaque mais recente, como os minerais críticos.

“Acredito que agora nós temos condições reais de tentar colocar uma retomada desse processo de desenvolvimento local, nacional, pensando em nós. Por isso, passa por forte investimento na nossa indústria, forte investimento.”

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