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Tarifa de 25% dos EUA mobiliza indústria e agronegócio do Brasil em defesa conjunta

Segundo a apuração, a Fiesp sustenta que a tarifa prejudicaria setores de maior valor agregado em São Paulo, como máquinas, autopeças, alimentos industrializados e móveis. A entidade também contestará pontos da investigação, afirmando que o Brasil avançou em propriedade intelectual, já reduz tarifas para produtos norte-americanos, ampliou produtividade agrícola sem expandir desmatamento e mantém relação comercial complementar com os EUA.

O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, afirmou a um jornal de grande circulação no país que as acusações do USTR não se sustentam e que a tarifa não resolverá os problemas apontados pelos EUA. Para ele, a medida aumentaria custos produtivos nos dois países e exigiria maior articulação política entre os governos para evitar prejuízos bilaterais.

A CNI reforçou que não há evidências de discriminação contra empresas norte-americanas no Brasil e que a sobretaxa ampliaria a imprevisibilidade enfrentada pelo setor privado. A entidade defende negociações diretas entre os governos e alerta para o impacto das mudanças constantes na política comercial dos EUA sobre investimentos e planejamento empresarial.

Ainda de acordo com a apuração, a Abimaq vai pedir a exclusão do setor de máquinas e equipamentos da tarifa, destacando que 82% das exportações brasileiras para os EUA ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico. A entidade argumenta que a ruptura dessas cadeias elevaria custos da indústria norte-americana, que depende de equipamentos desenvolvidos sob encomenda e com certificações específicas.

Outro produto que preocupa o setor siderúrgico brasileiro é o ferro-gusa. Para o Sindifer, o insumo precisa ser retirado da lista de produtos afetados, já que é essencial para siderúrgicas norte-americanas, difícil de substituir e produzido no Brasil com menor impacto ambiental devido ao uso de carvão vegetal de florestas plantadas. O setor lembra que 83% das exportações brasileiras têm como destino os EUA.

Já no agronegócio, segmentos como mel, café solúvel e pescados defendem que a tarifa pressionaria preços ao consumidor norte-americano e afetaria cadeias produtivas internas. A CNA afirma que os acordos comerciais brasileiros seguem regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o crescimento agrícola decorre de produtividade, não de desmatamento, citando a queda de 79% no desmatamento amazônico entre 2005 e 2026.

Desde a primeira investida tarifária de Trump, o governo brasileiro argumenta que a relação comercial entre os dois países é complementar e não deveria ser alvo de novas barreiras, mas a possível imposição da tarifa de 25% pelos Estados Unidos expõe a fragilidade da relação comercial bilateral.

Para indústria e agronegócio brasileiros, é preciso ainda ampliar negociações, reduzir incertezas e preservar cadeias produtivas integradas que sustentam investimentos e empregos nos dois países, concluiu a apuração.

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