
Não se sabe se é porque resolveu simplesmente escancarar o nível de poder que exerce sobre o grupo governista que ajudou a fundar ou porque considera o governador Jerônimo Rodrigues (PT) apenas um ‘detalhe’ no processo, ou mesmo um zero à esquerda, o fato é que o senador Jaques Wagner (PT) deixou hoje muito claro quem manda no governo e em sua articulação política ao anunciar a chapa completa à sucessão estadual numa entrevista a uma rádio do interior.
O anúncio foi feito no momento em que Jerônimo se encontra no Exterior, numa viagem com o presidente Lula, e depois de o governador ter declarado com todas as letras, durante o Carnaval, que ninguém estava autorizado a falar em seu nome sobre a composição da chapa, enquadrando seu secretário de Relações Institucionais, Adolfo Loyola, que ousara dar declarações sobre os prazos para que os nomes fossem apresentados à imprensa.
Mais do que isso, a apresentação da chapa por Wagner é feita num momento em que se discute uma eventual aproximação do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União), com o governo, possivelmente para assumir a posição de vice, operação na qual este Política Livre, diga-se de passagem, nunca acreditou, pelo estrito motivo de achar que nunca passou de uma tentativa para tentar desgastar o candidato das oposições ao governo ACM Neto, de quem o gestor feirense é aliado.
Não há dúvidas sobre quem, de fato, manda no governo. Uma olhada por alto sobre a administração estadual mostra que os quadros indicados por Wagner assumiram os postos mais importantes da gestão, espremendo os do ministro Rui Costa (Casa Civil) num canto e os do governador em outro, sem maior expressão ou influência sobre o governo. O que não se imaginava é que Wagner, normalmente reservado, estivesse disposto a dar uma demonstração pública e cabal de todo o seu poder.
O experiente político carioca eleito pela Bahia está pouco se importando em que, com sua atitude, desmoralize o governador, transformando-o aos olhos da imprensa e da sociedade em um político sem o menor poder de mando. Pelo visto, para Wagner, seu comportamento tem influência mínima na construção da imagem, explorada pela oposição, de que o governador não é e nunca foi o homem certo para o exercício do governo da Bahia.
Não custa lembrar que o próprio Wagner deu uma muito recente contribuição importante neste sentido, ao admitir que se discutiu internamente a substituição de Jerônimo por Rui como candidato ao governo, o que seria um golpe drástico e violento na naturalidade da candidatura à reeleição do governador, só justificável para mandatários sem liderança e incapazes de conquistar, mesmo detendo o poder, um novo mandato nas urnas.
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