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No grito e na raça

O compromisso antirracista engaja a população de todos os tons de epiderme, aderindo à marcha do dia 20, feriado nacional em celebração a Zumbi dos Palmares pelo terceiro ano, saindo do Curuzu rumo ao Terreiro de Jesus.

O mês dedicado à “Consciência Negra” é um convite à articulação em rede de um sem-número de organizações da sociedade civil, mesmo aquelas ainda contaminadas pelo padrão branco patriarcal elitista.

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A Universidade Federal da Bahia, referência nacional de sucesso na política de cotas, tem a honra de receber na reitoria, na condição de palestrante, Mireille Fanon, filha do pensador Frantz Fanon, reverenciado no formato de conferência.

Será no dia 21, às 9 horas, o encontro da comunidade acadêmica com a ilustre visitante, em oportunidade de abrir os microfones para debater-se os hábitos dentro da própria universidade, para quem considera as cotas insuficientes.

Perspectiva similar se aplica para iluminar a Associação Bahiana de Imprensa, entre outras venerandas instituições, nas quais os 75% de população preta raramente ou nunca se veem representados.

A despeito de possíveis lacunas raciais no preenchimento de altos cargos, as narrativas vêm convergindo com as da cidadania preta, reivindicando em coro a prática da justiça equitativa visando uma proporcional reparação dos danos.

Foram 400 anos de escravidão, tendo sido arrancadas de seus lares nas aldeias as pessoas tratadas como “coisas” e mercadorias, estendendo-se aos dias de hoje o ancestral maltrato, agora evidenciado a cada chacina nas periferias.

Os avanços no sentido da libertação, no entanto, abrem trilhas, como bem demonstram o próprio feriado de Zumbi e o atual protagonismo de países africanos como Burkina Faso, ao nacionalizar sua produção de ouro, banindo os corsários.

Cada marchante preto, ao pisar o solo onde seus ancestrais pisaram, leva no peito e na raça o grito quadricentenário a ecoar desde o mais longínquo rincão de onde foram arrancados seus tataravós pela estupidez dos ditos “civilizados”.

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