
Presidentes Emmanuel Macron e Donald Trump em encontro em outubro de 2025
Yoan Valat/Pool via Reuters
O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (21) suspender a análise de um acordo comercial entre a União Europeia, bloco formado por 27 países, e os Estados Unidos.
A decisão foi anunciada pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, e confirma um movimento que já havia sido sinalizado na véspera. A medida vem na esteira de declarações reiteradas do presidente americano Donald Trump, em defesa de que o país assuma o controle da Groenlândia, território semiautônomo vinculado à Dinamarca.
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“O Parlamento Europeu tem trabalhado arduamente para definir a sua posição sobre as duas propostas legislativas de Turnberry, a fim de poder iniciar negociações com o Conselho e implementar os compromissos da UE no âmbito do acordo UE-EUA”, disse Lange.
Nesta semana, o republicano anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a ilha.
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, disse o presidente em uma publicação no Truth Social.
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Por que Trump quer adquirir a Groenlândia?
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Pessoas participam do protesto “Tirem as mãos da Groenlândia”, realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha.
Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
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