
“Isso confere à economia norte-americana um enorme poder justamente para controlar os fluxos de capital, as transações bancárias entre diferentes bancos e países e, de certa forma, para minar o que poderíamos chamar de soberania monetária de outros países”, acrescentou.
Por exemplo, em 2022, os Estados Unidos e a União Europeia (UE) decidiram excluir sete bancos russos do sistema SWIFT como parte de medidas coercitivas contra o país euroasiático, que resistiu a esse ataque graças ao Mir, o equivalente russo dos sistemas de pagamento internacionais Visa e MasterCard, bem como a sistemas nacionais como o UnionPay da China, o JCB do Japão e outros.
Posteriormente, Moscou criou o Sistema Nacional de Cartões de Pagamento (NSPK), com dois objetivos: estabelecer um centro nacional de processamento de pagamentos para emissores internacionais e lançar um cartão de pagamento russo.
Segundo Oscar Rojas, doutor em economia, os países que investem na criação de seus próprios sistemas de pagamento também o fazem em busca de soberania monetária.
“Na medida em que os países possuem seus próprios mecanismos e não utilizam terceiros, especialmente os norte-americanos, isso demonstra a conquista de soberania e autonomia nesse aspecto, o que lhes proporciona níveis de segurança nacional […]. O neocolonialismo, do século XX até o presente, tem sido controlado pela imposição de sistemas financeiros internacionais”, explicou o analista à Sputnik.
Passo necessário rumo à multipolaridade
Em um mundo cada vez mais multipolar, é necessário considerar outros sistemas de pagamento que também priorizem outras moedas, argumentou Rojas.
“Se eu, como um país do Sul Global, por exemplo, decidir negociar com outros países do Sul Global, o que uma moeda do Norte Global teria que fazer no meio? Em outras palavras, dessa perspectiva, a soberania monetária e financeira consiste em se libertar desses intermediários e, claro, eliminar o risco — que já vimos — de seu uso indiscriminado como mecanismo de bloqueio econômico”, refletiu.
O BC lançou o sistema há menos de seis anos e, nesse período, mais de 170 milhões de pessoas adotaram seu uso no país, superando o dinheiro em espécie e os cartões. As pessoas podem fazer pagamentos ou transferências para indivíduos, lojas de varejo, bancos e até mesmo instituições governamentais.
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